terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Para além da derrota

Ficar a saber o que dizem de nós pelas nossas costas é sempre um exercício de auto-agressão.
Houve algo que disseram acerca de mim que de inicio chocou-me, seguidamente irou-me, e por fim terminou num sentimento de “não vale a pena”. O surpreendente foi que tudo isto demorou quando muito uns cinco segundos a decorrer, talvez dez segundos. No fim ficou um sentimento incómodo, uma sensação de falhanço. E eu fiquei a pensar, afinal o que se passou cá dentro.
A única conclusão a que chego é que ergui paredes em relação à pessoa que falou de mim, e que essas paredes estão a tornar-se definitivas.
Por um lado, as paredes são-me necessárias para continuar a conseguir lidar com a pessoa em causa. Por outro, porque razão terei eu de ter paredes erguidas para conseguir lidar com alguém?
Existe uma certa expetativa de que um certo grau de lealdade deve existir em qualquer relação humana, quer sejam laços familiares, amizades, conhecimentos, pessoas que encontramos uma única vez na nossa vida. De igual forma, aceitamos que um certo grau de, digamos, traição, exista igualmente nessa relação, pequenas mentiras brancas, desentendimentos, opiniões contrárias. Não digo nada de novo, apenas constato factos.
Contudo, por vezes as pessoas que supostamente melhor conhecemos são aquelas que nos magoam mais. O que fazer então, quando a mágoa é tanta, que deixa de ser, que se transforma em “não vale a pena”. O que fazer quando isso acontece?
Não sou inocente nenhum. Muita coisa me pode ser apontada. Mas isso não quer dizer que seja culpado, que tudo seja responsabilidade minha. Não é uma desculpa minha esta frase. É uma aceitação de que sou responsável por algumas coisas e não sou responsável por outras coisas.
Falarem nas minhas costas sempre foi para mim uma ofensa grave. Existe quem consiga viver em paz com isso, eu sempre preferi que quem quer falar de mim que fale comigo.

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